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Com tecnologia, pinhão-manso supera em três vezes a soja na fabricação de biodiesel

Possibilidades e desafios
O pinhão-manso é uma matéria-prima que pode ser usada em escala industrial para a extração de óleo destinado à fabricação de biodiesel, ainda que algumas de suas características precisem ser melhoradas.
Com uma produtividade potencial três vezes maior que a da soja, o pinhão-manso necessita de modificações para que possa se adaptar às diversas regiões do país e para que deixe de ser tóxico.

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Empenho do governo no pré-sal não deverá atrapalhar biodiesel

Muito tem se falado no Pré-Sal, e uma pergunta fica no ar: Será que com a atenção voltada para o pré-sal, as pesquisas com Biodiesel vão acabar? Visitando o site Inovação Tecnológica, vi esse artigo, muito interessante.


Biodiesel a todo vapor


As atenções dispensadas ao petróleo da camada pré-sal não atrapalham o programa do biodiesel. Essa é a interpretação do diretor executivo da União Brasileira do Biodiesel (Ubrabio), Sérgio Beltrão. Segundo ele, o biocombustível vai continuar crescendo, como já estava planejado, e a iniciativa privada continua apostando no projeto.

"A sociedade global está querendo mudar o paradigma de consumo, seja por questões ambientais ou pela saúde pública", afirmou. No próximo ano, oito novas usinas de biodiesel devem entrar em funcionamento nos estados de Goiás, do Rio Grande do Sul, do Paraná, de Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul.

Reaproveitamento de áreas degradadas

De acordo com Beltrão, o novo combustível tem espaço para crescer sem afetar a produção de alimentos porque o Brasil tem aproximadamente 90 milhões de hectares de pastagens degradadas e áreas já desmatadas. Ele destacou que a ideia de que o biodiesel usa comida para produzir combustível é completamente errada.

"O biodiesel é produzido a partir do óleo da soja, por exemplo. O que sobra é farelo, que alimenta a produção animal. Para cada litro de óleo, temos quatro quilos de farelo que vão virar proteína animal", explicou o diretor da Ubrabio.

Preço da limpeza

Apesar de apostar no crescimento da adição do biodiesel ao diesel consumido em todo o país, Beltrão reconhece que o produto é cerca de 30% mais caro. "Mas, para comparar o preço, é preciso considerar os gastos com saúde pública, em função das doenças provocadas pela poluição, e com os impactos ambientais", ressaltou o produtor.

Quanto à poluição, Beltrão lembrou que o biodiesel ajuda a diminuir a queima de enxofre pelo fato de se usar menos diesel devido à mistura, óleo combustível que é usado também como lubrificante Segundo ele, a chamada Agenda Conama - referência ao Conselho Nacional de Meio Ambiente - prevê a redução gradual de enxofre no combustível.

Atualmente, existem três tipos de classificação do diesel quanto a isso. Nas estradas, ele tem em geral 1.800 partes por milhão (ppm), nas regiões metropolitanas, 500 ppm e em algumas cidades, como Curitiba, 50 ppm.

Para 2013, está prevista a implementação do S10, com 10 ppm. "O biodiesel entra como um fator de melhoria da qualidade, podendo se antecipar às metas de qualidade do diesel", concluiu Beltrão.

BioCombustíveis - 50 perguntas sobre este novo mercado


Hoje o profissional do Petróleo não pode ficar focado somente no mundo do Petróleo. As empresas petrolíferas já não se auto-denominam empresas de petróleo e sim de energia. Tendo em vista esse novo panorama mundial, onde cada vez mais os "combustíveis limpos" tem ganhado espaço, disponibilizo para vocês esta cartilha para acabar com suas dúvidas relacionadas aos biocombustíveis. Vale a pena dar uma conferida.

Clique AQUI para baixar

Dica. Portal do Biodiesel

Para aqueles que trabalham com energias alternativas, biocombustíveis ou que se interessam pela área ou até mesmo por gostar de questões ambientais, esse site vai ajudar muito vocês, tudo que é notícia relacionada a biodiesel você encontra lá, além disso disponibilizam algumas charges bem legais sobre determinados temas. Vale a pena conferir!



achei esse site no blog Turma do Petróleo, que por sinal é outro blog bem legal na área de Petróleo.

Fontes renováveis de energia impulsionam economia e geram empregos


Um estudo sobre os impactos das fontes renováveis de energia que acaba de ser concluído demonstrou que o aumento dos investimentos nessas fontes alternativas terá um efeito positivo sobre a economia e poderá criar um número significativo de novos empregos.

O estudo, que analisou o impacto das fontes renováveis de energia sobre a economia europeia, é o primeiro a verificar em alto nível de detalhamento os efeitos dos investimentos público e privado em energias limpas sobre a economia como um todo.

O estudo é o primeiro a verificar em alto nível de detalhamento os efeitos dos investimentos público e privado em energias limpas sobre a economia como um todo.

Impacto das energias renováveis sobre a economia

Os pesquisadores utilizaram diversos modelos econômicos para descobrir como as políticas de uso das fontes renováveis de energia afetam a economia e o emprego hoje, quais foram os seus impactos no passado, e como serão seus impactos no futuro, sobretudo em vista das exigências impostas pelas novas legislações, que impõem metas futuras para o uso das fontes renováveis de energia.

Os pesquisadores analisaram não apenas o próprio setor de energias renováveis, mas também o seu impacto em todos os setores da economia, incluindo os mercados convencionais de energia, o consumo doméstico e o setor de turismo, apenas para citar alguns.

A pesquisa comparou três cenários: um no qual os investimentos em fontes renováveis de energia são abandonados, outro nos quais eles são deixados ao ritmo comum do mercado, ou à própria sorte, e outro no qual esses investimentos são reforçados.

Os resultados mostraram claramente que é necessário que se invista mais nesses setores para se alcançar o potencial máximo de benefícios das energias limpas.

Tecnologias de energias renováveis

"O forte crescimento nos projetos de biomassa e nas fazendas solares em terra precisam ser mantidos, uma vez que são estas tecnologias as responsáveis pelos maiores efeitos de curto prazo na produção de energias alternativas, no emprego e no crescimento econômico," diz o estudo.

"Tecnologias mais inovadoras, como a solar fotovoltaica, a energia eólica em alto mar, a eletricidade termossolar e os biocombustíveis de segunda geração exigirão maior suporte financeiro no curto prazo, mas são precisamente estas tecnologias que permitirão que se alcancem as metas futuras de uso de fontes renováveis de energia," prossegue a pesquisa. A Europa tem uma meta de uso de 20% de fontes renováveis de energia em 2020.

Energia na geração de empregos

O estudo descobriu que, deixado à própria sorte, o setor de energias renováveis não conseguirá atingir a meta de 2020 - nesse cenário, os dados indicam uma participação projetada de 14% em 2020 e 17% em 2030. No cenário de reforço de investimentos na área, os dados indicam 20% em 2020 e 30% em 2030.

Em termos de geração de emprego, os pesquisadores projetam um ganho entre 115.000 e 201.000 novos postos de trabalho em 2020 e entre 188.000 e 300.000 empregos em 2030, isto no cenário moderado. Já no cenário de fortes investimentos, os ganhos giram entre 396.000 e 417.000 empregos em 2020 e entre 459.000 e 545.000 novos empregos em 2030.

Energia produzida a partir do bagaço da cana é economicamente viável

A produção de energia elétrica através do bagaço de cana-de-açúcar é plenamente viável do ponto de vista econômico e atrativa para as usinas. A afirmação é do contador Paulo Lucas Dantas Filho, do Instituto de Eletrotécnica e Energia (IEE) da USP. Para ele, além das vantagens ambientais, cria-se uma terceira fonte de renda bastante significativa para os produtores de açúcar e álcool.

A pesquisa foi feita a partir de um estudo de caso onde foram analisadas quatro usinas de cana-de-açúcar na região de Catanduva, no interior de São Paulo. Segundo o pesquisador, o critério adotado foi que as usinas deviam ser autossustentáveis, ou seja, toda energia consumida por ela devia ser produzida a partir do bagaço de cana. Além disso, o excedente energético produzido deveria estar sendo vendido para a concessionária responsável pela distribuição de energia na região.

Energia do bagaço de cana

O processo de produção de energia elétrica a partir do bagaço de cana-de-açúcar é totalmente automatizado e inserido dentro da linha de produção das usinas.

Após a planta ser colhida e levada até a usina, ela passa por três moendas. O produto da primeira moagem vai para a produção de açúcar, na chamada "moagem de 1ª linha". Já na segunda e na terceira moagens o que é produzido é o álcool combustível. O que resta da cana é o bagaço, que é levado por uma esteira até a caldeira que realiza a queima. Depois de passar pelas turbinas e geradores, o vapor produzido na queima gera a energia elétrica.

Com relação ao possível dano ambiental causado pela fumaça produzida na queima do bagaço, Dantas afirma que fuligem produzida é retida em filtros. "Não sobra nada da cana, eles aproveitam tudo. A própria fuligem acaba se tornando adubo para plantios futuros", completa.

Viabilidade econômica da energia da cana

Segundo Dantas, a produção de energia elétrica a partir do bagaço de cana possui diversas vantagens econômicas. Para ele a principal vantagem é que esse processo se torna uma terceira fonte de receita das usinas que a utilizam, podendo gerar até uma quarta fonte renda, a emissão de créditos de carbono sob as regras do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), créditos estes comercializáveis em bolsas de valores.

"É um processo natural. Ao gerarem a energia limpa, automaticamente eles estão habilitados para requerem os projetos para certificação de emissão de créditos de carbono. É um caminho natural até", destaca o pesquisador. Como ele mesmo ressalta, porém, não se trata se um processo simples, uma vez que os créditos são emitidos diretamente pela Organização das Nações Unidas (ONU), o que torna a ação algo caro e relativamente demorado, na ordem de 2 a 3 anos.

Por outro lado, ele compreende que o investimento inicial para a produção de energia é bastante alto. Segundo suas pesquisas, giram em torno de R$ 1,4 milhão por Megawatt (MW) produzido. As usinas por ele analisadas, por exemplo, produzem entre 40 e 50 MW.

Dantas esclarece que mesmo assim trata-se de um investimento bastante viável uma vez que o tempo de retorno do capital aplicado está entre 5 e 7 anos. "Os investimentos industriais, por exemplo, são da ordem de 12 a 13 anos para retorno de negócio", comenta o contador. Outra vantagem na implantação deste sistema de produção de energia é a venda do excedente para as concessionárias. Dantas destaca que são contratos de longo prazo, da ordem de 20 anos, o que garante uma fonte de renda muito menos vinculada às oscilações de mercado.

Potencial de energia do bagaço da cana

Dantas explica que há poucas perdas de energia, se comparado com a eletricidade produzida nas grandes usinas. "Como a energia produzida vai para as centrais de distribuição de cidades próximas, há muito menos perda", garante. Além disso, o período de safra da cana, de março a novembro, coincide com as épocas em que a oferta hidrelétrica é normalmente menor, por causa da diminuição das chuvas.

Para o pesquisador, o principal diferencial do aproveitamento do bagaço da cana é a importância ser uma energia renovável que pode contribuir com a redução na emissão de gases que provocam o efeito estufa.

Ele acredita ainda que o potencial de produção de energia deve aumentar nos próximos anos por dois motivos. O primeiro está ligado a evolução tecnológica. Mesmo com um possível aumento de custos o aumento da produtividade compensaria os gastos com investimento. O segundo está na redução das queimadas no momento do corte da cana.

No caso de São Paulo, por exemplo, uma resolução estadual obriga que, até 2017, as queimadas sejam extintas, o que possibilitaria o aproveitamento da palha e da ponta da cana-de-açúcar, perdidas nesse modelo de colheita. "A matéria-prima (bagaço) somada à ponta e à palha tende a aumentar em 30% a capacidade de produção de energia", completa Dantas.

SITE INOVAÇÃO TECNOLÓGICA. Energia produzida a partir do bagaço da cana é economicamente viável. 10/08/2009. Online. Disponível em:

USP desenvolve técnica ultrarrápida para produzir biodiesel

Biodiesel em 30 minutos

Pesquisadores da USP desenvolveram uma técnica para transformar em biodiesel óleos vegetais já danificados pelo processo de fritura e a borra de soja, um resíduo da indústria de óleo alimentício.

A técnica reduz o tempo da reação química de 24 horas para 30 minutos e barateia o processo. O segredo foi usar um catalisador diferente na reação, feito com os metais cobre e vanádio.

Como é produzido o biodiesel

Para produzir biodiesel é necessário que haja a reação do óleo vegetal puro com álcool. "Mas a reação só acontece se houver um catalisador no recipiente. Essa substância é o cupido que junta o óleo com álcool e transforma-o em biodiesel e glicerina", compara Miguel Dabdoub, químico e professor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) em cujo laboratório a técnica foi desenvolvida. "Depois da reação, é possível recuperar o catalisador"

Contudo, o catalisador utilizado comumente no Brasil é a soda cáustica, que não funciona muito bem para transformar óleos de fritura, óleos não-refinados em biodiesel. Esses tipos de óleo contém diferentes percentuais de ácidos graxos, que reagem com a soda e viram sabão. A outra porcentagem vira biodiesel. A borra de soja é o ácido graxo extraído de óleos vegetais e por isso também não pode ser transformada em biodiesel. A reação comum demora um dia inteiro para acontecer.

Guia de Energia Global - BBC

Para benefício de todos que estudam e atuam na área de Petróleo, fico feliz que muitos blogs, sites voltados para esse público estarem surgindo, sempre com informações bem interessantes! Como os que já citei anteriormente. Agora trago pra vocês mais um blog que está surgindo, o BlogOil, e foi dele que achei esse material bem interessante: O Guia de Energia Global, publicado pela BBC Brasil

Esse é uma guia bem interessante que está no site da BBC Brasil e aborda sobre os diferentes tipos de Energia, é ideal para trabalhos acadêmicos.

Sabendo disso, formatei de forma que se transformasse num arquivo em pdf, para que vocês possam baixar e quem sabe imprimir, ao invés de ficar lendo na web. Para baixar é só clicar no link abaixo.


Etanol - Relação Custos X Benefícios por Mauro Kahn



Os biocombustíveis encontram-se hoje no centro da discussão energética global, especialmente o programa brasileiro para a produção de álcool – criticado e defendido com o mesmo fervor por diversos especialistas e integrantes do setor energético. Deste debate, muitas vezes desviado pela desinformação do público, decorre uma série de mitos.

Dentre eles, resolvi selecionar três que julgo essencialmente importantes para levar esta discussão adiante. São eles:


* Mito 1 –
O Brasil poderá ser responsabilizado pelo aumento dos alimentos no mundo.
* Mito 2 -
O álcool é um combustível de extrema eficiência e capaz de substituir o petróleo com o espetacular aumento no preço do barril.

* Mito 3 -
O álcool é um combustível ecológico e o planeta será favorecido por seu uso intensivo.

Analisando o mito 1 – O argumento é exagerado, uma vez que o aumento dos alimentos decorre de uma serie de fatores que independem do Brasil. Por outro lado, é possível afirmar que esta demanda crescente por alimentos não deixa de ser uma ótima oportunidade para que o país venha a se tornar o maior exportador de alimentos do mundo. É possível visualizar o problema quando projetamos o avanço dos canaviais através dos estados do Paraná, Matogrosso, Goiás e Minas Gerais. É certo que o Brasil necessitará de uma organização e controle agrários acima daquele que dispomos hoje para impedir que essa expansão prejudique a pecuária e culturas geradoras de grãos.

Sem dúvida alguma, a plantação da cana-de-açúcar é bastante rentável, apresenta resultados rápidos e demanda investimentos relativamente menores do que outras atividades substitutas. A cana-de-açúcar é - de fato - uma monocultura com expressivas “barreiras de saída”. Por outro lado (ou justamente por isso), torna-se quase inviável o retorno para a atividade anterior. E, destarte, não é recomendável colocarmos todos os nossos os ovos em uma única cesta.

Analisando o mito 2 – Esse é um aspecto raramente colocado em xeque, no entanto de máxima importância. Ao contrário do que pode parecer a princípio, a cana-de-açúcar não produz tanta energia quanto setores interessados parecem sugerir.

Lembremos que um hectare (10 000 m²), caso totalmente plantado, produz em média cerca de 7 000 litros de álcool. Levando em consideração que um carro movido a álcool consome, também em média, cerca de 3 500 litros por ano, pode-se calcular que será necessário meio hectare para abastecê-lo.

A título de exemplo, os jardins do Aterro do Flamengo - no Rio de Janeiro - possuem uma dimensão estimada em 120 hectares. A partir daí, não fica difícil imaginarmos que, se transformássemos a região em um extenso canavial, iríamos atender ao consumo de uma frota com apenas 250 automóveis (aproximadamente).

Observe que, para atendermos ao consumo da frota de automóveis da cidade do Rio de Janeiro - estimada em 2,5 milhões de veículos - seriam necessários cerca de 10 mil Aterros!

Naturalmente, estes dados não excluem o valor do álcool como combustível complementar ao petróleo e ao gás natural. Quem viveu a década de 80, ainda se recorda da ajuda que o álcool nos proporcionou em plena crise do petróleo. Entretanto, cabe ressaltar que, naquela época, nossas reservas petrolíferas eram infinitamente inferiores às atuais, e que o GNV nem sequer era cogitado no Brasil. Hoje, não se pode mais colocar a questão sob a mesma perspectiva e nem o mesmo contexto. Não se pode olhar para trás.

Analisando o mito 3 – Não há qualquer dúvida de que o álcool propriamente dito seja um combustível muito mais limpo do que os derivados do petróleo. No entanto, ao aprofundarmos a questão, este suposto ganho ecológico não se sustenta da mesma maneira.

Em primeiro lugar, o álcool não evita o consumo do óleo diesel, consideravelmente mais poluente do que a gasolina (muito pelo contrário: na realidade, ele indiretamente estimula este consumo, uma vez que o combustível é utilizado no transporte do álcool para os grandes centros). Além disso, não podemos ignorar as queimadas realizadas antes da colheita, outra fonte expressiva de poluentes.

A conclusão a que se chega, após todas as questões expostas, é de que o álcool surge ideal para metrópoles como São Paulo, onde uma frota incrivelmente grande acaba por gerar uma poluição insuportável. Já para uma cidade como Manaus - que por muito tempo poderá contar com as expressivas reservas de petróleo e gás de URUCU - o consumo de álcool não encontra justificativa razoável.

O Etanol

by Carlos Guedes | 23:44 in , | comentários (0)

O Etanol

Por André Luiz
andre2r@oi.com.br

O etanol desponta como a grande estrela entre as fontes de energia ambientalmente corretas e renováveis, e o Brasil aparece como seu possível maior produtor. Herdeiros do pró álcool - programa do governo iniciando no fim da década de 70 e que tinha como objetivo a substituição dos combustíveis derivados de petróleo por álcool – possuímos ainda hoje, espalhadas por algumas regiões do país, usinas remanescentes daquele período que poderão ser reativadas em função dessa demanda por combustíveis renováveis. Há, no entanto setores que resistem à idéia de se “plantar combustível”, tanto no plano nacional, quanto no internacional. Uma das maiores críticas do programa do etanol tem sido a Transnacional SHELL, que em recente nota divulgada criticou os países que tem a intenção de implantar o programa de combustíveis renováveis, em especial o Brasil. As críticas fizeram menção não só a substituição de áreas agricultáveis destinadas à produção de alimentos, como também aos usineiros brasileiros, contumazes devedores de impostos e que também aparecem como principais responsáveis pela “ainda existência de trabalho escravo no Brasil”. É sabido que o etanol vem a ser considerado o combustível do futuro, não só por ter uma fonte renovável como também por suas emissões reduzidas em relação aos combustíveis fósseis, mas também é de conhecimento amplo que a indústria canavieira é a que produz o maior número de ocorrências de denuncias de trabalhos escravo no pais e também um índice considerável de óbitos de trabalhadores levados a condições físicas extremas. Um cortador de cana pode chegar a cortar até 16 toneladas de cana por dia de trabalho. Este dado faz parte de estatística do Organização Internacional do trabalho – OIT - e coloca o país no rol de países em desenvolvimento onde é comprovada existência, “ainda”, de trabalhadores submetidos a condições de trabalho escravo.

Há de se ter cautela, por tudo que a produção de etanol pode vir a ser para o país. Desenvolvimento, tecnologia, trabalho e emprego poderão alavancar o tão sonhado crescimento socioeconômico de que tanto precisamos. A dependência de fontes de energias não renováveis também é determinante fator no dimensionamento de um programa de tal magnitude, mas não pode também vir a ser o programa do etanol responsável pela diminuição das áreas agricultáveis responsáveis pela produção de alimentos, pela intensificação de formas de se burlar a legislação fiscal e a manutenção da indústria da escravidão num país que ainda precisa muito aperfeiçoar seus planos de melhoria da qualidade socioeconômica e de combate a corrupção.

Etanol global: Brasil será referência em estudo para uso mundial do etanol



Uso mundial do etanol


As questões relacionadas à produção sustentável de energias alternativas a partir da biomassa vegetal ganharam um forte aliado com o lançamento do projeto Global Sustainable Bioenergy: Feasibility and Implementation Paths.


A iniciativa irá reunir uma equipe internacional de cientistas para o estudo das possibilidades de uso dos biocombustíveis em nível mundial e em larga escala, partindo, em parte, da experiência brasileira de produção de etanol a partir da cana-de-açúcar.


Pelo lado brasileiro participam do comitê organizador das reuniões do projeto Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, e José Goldemberg, pesquisador do Centro Nacional de Referência em Biomassa, vinculado ao Instituto de Eletrotécnica e Energia (IEE) da Universidade de São Paulo (USP).


Substituição do petróleo por biocombustíveis


"Esse debate mundial será muito importante para o Brasil porque o caso brasileiro de substituição bem-sucedida de petróleo por biocombustíveis ainda tem uma dúvida legítima sobre em que escala a nossa experiência poderia ser replicada em outros países", disse Brito Cruz à Agência FAPESP.


"A adoção em larga escala de biocombustíveis no mundo dependerá de muitos países se convencerem de que eles também são capazes de produzir uma quantia relevante do combustível que desejarem usar. E isso, por outro lado, não significa que não haverá possibilidades para o Brasil exportar biocombustível e as tecnologias para sua produção", afirmou.


Energia produzida a partir do bagaço da cana é economicamente viável

A produção de energia elétrica através do bagaço de cana-de-açúcar é plenamente viável do ponto de vista econômico e atrativa para as usinas. A afirmação é do contador Paulo Lucas Dantas Filho, do Instituto de Eletrotécnica e Energia (IEE) da USP. Para ele, além das vantagens ambientais, cria-se uma terceira fonte de renda bastante significativa para os produtores de açúcar e álcool.

A pesquisa foi feita a partir de um estudo de caso onde foram analisadas quatro usinas de cana-de-açúcar na região de Catanduva, no interior de São Paulo. Segundo o pesquisador, o critério adotado foi que as usinas deviam ser autossustentáveis, ou seja, toda energia consumida por ela devia ser produzida a partir do bagaço de cana. Além disso, o excedente energético produzido deveria estar sendo vendido para a concessionária responsável pela distribuição de energia na região.

Energia do bagaço de cana

O processo de produção de energia elétrica a partir do bagaço de cana-de-açúcar é totalmente automatizado e inserido dentro da linha de produção das usinas.

Após a planta ser colhida e levada até a usina, ela passa por três moendas. O produto da primeira moagem vai para a produção de açúcar, na chamada "moagem de 1ª linha". Já na segunda e na terceira moagens o que é produzido é o álcool combustível. O que resta da cana é o bagaço, que é levado por uma esteira até a caldeira que realiza a queima. Depois de passar pelas turbinas e geradores, o vapor produzido na queima gera a energia elétrica.

Com relação ao possível dano ambiental causado pela fumaça produzida na queima do bagaço, Dantas afirma que fuligem produzida é retida em filtros. "Não sobra nada da cana, eles aproveitam tudo. A própria fuligem acaba se tornando adubo para plantios futuros", completa.

Viabilidade econômica da energia da cana

Segundo Dantas, a produção de energia elétrica a partir do bagaço de cana possui diversas vantagens econômicas. Para ele a principal vantagem é que esse processo se torna uma terceira fonte de receita das usinas que a utilizam, podendo gerar até uma quarta fonte renda, a emissão de créditos de carbono sob as regras do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), créditos estes comercializáveis em bolsas de valores.

"É um processo natural. Ao gerarem a energia limpa, automaticamente eles estão habilitados para requerem os projetos para certificação de emissão de créditos de carbono. É um caminho natural até", destaca o pesquisador. Como ele mesmo ressalta, porém, não se trata se um processo simples, uma vez que os créditos são emitidos diretamente pela Organização das Nações Unidas (ONU), o que torna a ação algo caro e relativamente demorado, na ordem de 2 a 3 anos.

Por outro lado, ele compreende que o investimento inicial para a produção de energia é bastante alto. Segundo suas pesquisas, giram em torno de R$ 1,4 milhão por Megawatt (MW) produzido. As usinas por ele analisadas, por exemplo, produzem entre 40 e 50 MW.

Dantas esclarece que mesmo assim trata-se de um investimento bastante viável uma vez que o tempo de retorno do capital aplicado está entre 5 e 7 anos. "Os investimentos industriais, por exemplo, são da ordem de 12 a 13 anos para retorno de negócio", comenta o contador. Outra vantagem na implantação deste sistema de produção de energia é a venda do excedente para as concessionárias. Dantas destaca que são contratos de longo prazo, da ordem de 20 anos, o que garante uma fonte de renda muito menos vinculada às oscilações de mercado.

Potencial de energia do bagaço da cana

Dantas explica que há poucas perdas de energia, se comparado com a eletricidade produzida nas grandes usinas. "Como a energia produzida vai para as centrais de distribuição de cidades próximas, há muito menos perda", garante. Além disso, o período de safra da cana, de março a novembro, coincide com as épocas em que a oferta hidrelétrica é normalmente menor, por causa da diminuição das chuvas.

Para o pesquisador, o principal diferencial do aproveitamento do bagaço da cana é a importância ser uma energia renovável que pode contribuir com a redução na emissão de gases que provocam o efeito estufa.

Ele acredita ainda que o potencial de produção de energia deve aumentar nos próximos anos por dois motivos. O primeiro está ligado a evolução tecnológica. Mesmo com um possível aumento de custos o aumento da produtividade compensaria os gastos com investimento. O segundo está na redução das queimadas no momento do corte da cana.

No caso de São Paulo, por exemplo, uma resolução estadual obriga que, até 2017, as queimadas sejam extintas, o que possibilitaria o aproveitamento da palha e da ponta da cana-de-açúcar, perdidas nesse modelo de colheita. "A matéria-prima (bagaço) somada à ponta e à palha tende a aumentar em 30% a capacidade de produção de energia", completa Dantas.

SITE INOVAÇÃO TECNOLÓGICA. Energia produzida a partir do bagaço da cana é economicamente viável. 10/08/2009. Online. Disponível em: