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Petróleo - O Ouro Negro

by Carlos Guedes | 18:04 in | comentários (0)

Petróleo - O Ouro Negro



PLANETA TERRA - DEZENAS OU CENTENAS DE MILHÕES DE ANOS ATRÁS
Organismos aquáticos, vegetais e animais, proliferam nos mares, apresentando uma lenta porém constante degradação bacteriológica. Esta matéria orgânica decomposta migra para camadas superiores do subsolo e se concentra em rochas permeáveis que atuam como um reservatório. O conjunto dos produtos provenientes desta degradação são hidrocarbonetos e gases que futuramente seriam conhecidos como petróleo, ou seja, o "óleo de pedra" ou o "ouro negro" um produto que daria um impulso extraordinário ao desenvolvimento econômico da humanidade mas que, em contrapartida, seria o pomo da discórdia que levaria muitos povos à guerra.
Conheça agora um pouco de sua história, como tudo começou e de que forma esta aventura humana poderá terminar.
LOCALIDADE DE HIT, MESOPOTÂMIA, ÀS MARGENS DO RIO EUFRATES, NÃO MUITO DISTANTE DE BABILÔNIA (ONDE HOJE FICA BAGDÁ) - 3000 a.C.A
Uma substância natural rica em carbono e hidrogênio, lodosa, semi sólida, chamada betume, também conhecida como asfalto, assoma à superfície através de fendas e fissuras e é largamente utilizada, acredita-se que desde 5000 a.C., como argamassa nas construções de Babilônia e até mesmo na muralha de Jericó.
Há registros de sua utilização no Egito, até como coadjuvante no processo de mumificação.
O betume é utilizado também como impermeabilizante e na pavimentação de estradas. Apesar de ser altamente inflamável é pouco utilizado para a iluminação e, como ocorreria mais tarde nos Estados Unidos, é muito usado como medicamento.
Acredita-se que o betume serviria também como poderosa arma de guerra já que relatos de Homero na Ilíada falam de ataques a embarcações com bolas de fogo que não podiam ser apagadas. Relato similar também é feito quando do ataque de Ciro, o rei da Pérsia, à cidade de Babilônia.

CHINA - 200 a.C.

Ao escavarem poços em busca de sal, os chineses
descobrem óleo e gás que devidamente canalizados
são usados na iluminação e como combustível. Posteriormente, Marco Polo fará referência ao uso de "pedras negras que são queimadas como se fossem pedaços de madeira", ou seja, o uso do carvão mineral conhecido na China desde o início da era cristã.


ARMÊNIA, FRONTEIRA COM A GEÓRGIA - 1260 DE NOSSA ERA

Marco Polo em sua viagem à China, passa pela Armênia e na fronteira com a Geórgia observa e relata em seu Livro das Maravilhas uma grande fonte da qual "sai um licor semelhante ao óleo, em tal abundância que podem carregar-se cem navios de uma só vez". O maior viajante de todos os tempos nota que o óleo era utilizado para queima e servia também para untar os camelos protegendo-os de doenças.
 



 

EUROPA - IDADE MÉDIA EM DIANTE
Estranhamente, o conhecimento sobre o petróleo ficaria restrito ao Oriente e, com raras exceções, não chegaria ao Ocidente. Tal fato talvez se explique porque as ocorrências de betume ficavam além das fronteiras do Império Romano, sendo relatadas apenas como curiosidade, não sendo transmitido às futuras nações ocidentais. Mas há relatos que dão conta, a partir da Idade Média, da ocorrência de petróleo em algumas localidades da Europa, sendo os poços cavados manualmente pelos camponeses. A técnica do refino chegou à Europa transmitida pelos árabes, mas o petróleo é usado apenas como uma panacéia por antigos monges e médicos.

NOROESTE DA PENSILVÂNIA - ESTADOS UNIDOS - 1853 - UMA PRIMEIRA VISÃO DO FUTURO

George Bissell era um professor e advogado em Nova York, um verdadeiro "self made man", que se auto sustentava desde os doze anos. Ele falava muitas línguas mas também tinha um faro excepcional para negócios.
Em !853, de volta a sua terra natal, Bissell, quando ia visitar sua mãe, passa pelo oeste do Estado da Pensilvânia e vê, pela primeira vez, naquela região isolada dos Estados Unidos, o "óleo de pedra" borbulhando nos mananciais ou vazando nas minas de sal das florestas da região. Alguns poucos barris eram obtidos por métodos bem primitivos, escumando o óleo que ficava na superfície dos mananciais e dos córregos ou embebendo-o em trapos e cobertores. Era conhecido como "Óleo de Sêneca" em homenagem aos índios da localidade, que transmitiram aos brancos o conhecimento de sua utilidade como remédio tanto para os homens como para os animais.
 


HANOVER, ESTADO DE NEW HAMPSHIRE - ESTADOS UNIDOS - MESMO ANO DE 1853 - UMA SEGUNDA VISÃO DO FUTURO 

Mais tarde George Bissell, após visitar sua mãe, vai rever sua antiga faculdade o Dartmouth College e eis que uma garrafa colocada em cima de um armário na sala de um professor,
chama-lhe a atenção. Na garrafa há uma amostra daquele mesmo óleo de pedra da Pensilvânia, muito utilizado como remédio. Ele sabia que aquele líquido negro e viscoso era inflamável e, num lampejo, concebeu a idéia de que o óleo poderia ser utilizado não como remédio mas sim como iluminante.

Aqui há necessidade de se abrir um parêntese: Naquela época o mundo e especialmente os Estados Unidos viviam uma grande crise relacionada com a iluminação. A explosão populacional e a Revolução Industrial aumentaram sobremaneira a necessidade de um iluminante que até então se baseava no uso de um simples pavio impregnado de alguma gordura animal ou óleo vegetal. Os mais abastados usavam o óleo de baleia, de melhor qualidade mas de preço mais alto. Mas os cachalotes do Atlântico já estavam em processo de dizimação e os preços com isso se elevavam muito.
Havia outros produtos como o canfeno, um derivado da terebintina que soltava muita fumaça e as vezes costumava explodir na casa das pessoas. As ruas e algumas casas eram iluminadas pelo chamado gás urbano, destilado do carvão que era colocado nos lampiões. Mas o gás era caro e pouco confiável e em 1854 o canadense Abraham Gesner desenvolveu um processo para extrair óleo do carvão ou do asfalto. Chamou o produto de "querosene" de "keros" e "elaion", palavras gregas que significam "cera" e "óleo". Mas o problema principal ainda persistia, ou seja, o custo era muito elevado e a quantidade produzida insuficiente.
Bissell sabia que sua idéia só vingaria se ele conseguisse resolver estes dois problemas: um óleo iluminante que pudesse existir em grande quantidade e que pudesse ser fabricado a baixo custo. Mas ele levou sua idéia adiante e tratou de conseguir investidores, convencendo-os de que estavam diante de uma grande e rendosa descoberta. Seu entusiasmo era tanto que conseguiu arrecadar o suficiente para contratar um renomado professor de química da Universidade de Yale que faria uma pesquisa na região e analisaria detalhadamente o produto. Os resultados foram amplamente favoráveis. O óleo podia ser levado a vários níveis de ebulição e com isto ser refinado, obtendo como subproduto um óleo iluminante de altíssima qualidade. Logo porém surgiu a primeira dúvida para os participantes da recém fundada Pennsylvania Rock Oil Company de Bissell: Haveria bastante óleo à disposição ou, como muitos diziam, eram apenas um gotejamento das fendas subterrâneas do carvão?

NOVA YORK - UM DIA QUENTE DE 1856 - A TERCEIRA E DEFINITIVA VISÃO DO FUTURO 
Bissell que já tivera dois lampejos anteriores teria, numa tarde quente do verão novaiorquino, um terceira visão que seria definitiva para a implantação da indústria do petróleo. Bissell, ao se refugiar do calor, procura abrigo no toldo de uma farmácia e vê então numa vitrine a propaganda de um remédio feito a base de petróleo. O cartaz mostrava várias torres de perfuração das que eram usadas nos poços de sal, onde o petróleo acabava aparecendo como uma espécie de subproduto. A técnica de perfuração de poços de sal havia sido desenvolvida pelos chineses há mais de um século e meio, alcançando quase 1000 metros de profundidade. Da China a técnica foi importada pela Europa e de lá chegou aos Estados Unidos. O olhar arguto de Bissell logo vislumbrou uma possibilidade nova: Porque não utilizar a mesma técnica de perfuração do sal para o petróleo?

E assim foi feito. Mas inúmeras dificuldades surgiriam num processo interminável de erros e acertos com todos achando que Bissell e seus companheiros eram loucos. Quando o processo já estava quase sendo abortado, em 27 de agosto de 1859, a broca ao atingir 21 metros de profundidade deslizou mais alguns centímetros e fez jorrar petróleo no poço, dando início a uma agitação similar a corrida do ouro da Califórnia. Estava nascendo a "Luz da Era", uma iluminação forte, brilhante e barata.
Bissell, naturalmente ficou rico mas fez inúmeras obras filantrópicas doando inclusive dinheiro para a construção de um ginásio no Dartmouth College onde ele havia visto a garrafa de óleo de pedra que lhe permitiu uma visão do futuro.
Além da querosene outros usos do petróleo foram sendo incorporados como a vaselina e a parafina e, principalmente, como lubrificante, essencial para o bom funcionamento das máquinas da nascente atividade industrial.
Em 1882, outro americano, Thomas Alva Edison, abriu as portas para o surgimento de uma "nova luz": a elétrica.
Que futuro teria então o petróleo? O que a Standard Oil, já então a maior empresa do mundo, fundada por John D. Rockefeller, faria com os milhões de dólares investidos na produção, refino, armazenamento, distribuição e transporte do petróleo que estava quase que totalmente voltado para a iluminação?
Se uma nova descoberta revolucionária ameaçava o
império do petróleo, podendo fechar as portas do lucro,
outra descoberta, também revolucionária, viria a ocorrer "salvando" o petróleo e abrindo caminho para uma união que perdura até nossos dias: a " carruagem sem cavalo", nosso velho conhecido automóvel.
O resto da história é sobejamente conhecido. Os campos de petróleo se espalharam pelo mundo numa empreitada de guerras, invasões, ganância, dinheiro e poder. O petróleo passa a ser a principal fonte de energia mundial, transformando a paisagem contemporânea e o modo de vida moderno. Seus subprodutos passam a ser fundamentais para a agricultura, como fertilizantes, para a indústria química, de plásticos e tantas outras mais, tornando-o indispensável para os novos tempos. Os trustes, o poder econômico, podem agora construir ou destruir nações, correndo muito sangue em nome daquele que um dia havia sido saldado como o exterminador da escuridão.

A ERA DO PETRÓLEO - ATÉ QUANDO?

Ainda vivemos a "era do petróleo" mas dois fatos levam-nos a questionar sua durabilidade. O primeiro deles diz respeito a possibilidade cada vez mais presente das fontes naturais se esgotarem brevemente. O segundo se relaciona com o uso indiscriminado e desregrado do petróleo, ocasionando gravíssimos problemas ambientais, com uma poluição crescente que ameaça toda a humanidade.
Nosso Planeta prescinde de uma fonte energética que seja renovável, economicamente eficiente e ambientalmente benigna. A energia solar, por atender todos estes requisitos talvez seja a solução, mas até lá espera-se que a humanidade tenha aprendido a utilizar melhor e mais equilibradamente as dádivas que a natureza lhe oferece.
Fonte: João Aranha - USP - Escola de Engenharia de São Carlos

Petróleo - Origem e Registros Históricos



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Setor de Distribuição de Derivados de Petróleo



Hoje vou postar algo diferente do que normalmente postamos (Exploração, Perfuração, Refino), mas nem por isso menos importante na Indústria do Petróleo: Comercialização e Distribuição dos Derivados de Petróleo. 


Este excelente arquivo, faz parte do material da Disciplina de mesmo nome no qual estou cursando este semestre (4º período Tecnólogo em Petróleo e Gás - UNESA - São Gonçalo) do professor Fernando Torres, também Coordenador do curso. 


Além desse arquivo, temos outros arquivos da mesma que aos poucos iremos disponibilizando no blog.


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Estudo dos Constituintes do Fluído de Perfuração



"Fluidos de perfuração são fluidos utilizados durante a perfuração de poços de petróleo, que possuem algumas funções básicas: manter as pressões de formação sob controle; carrear os cascalhos até a superfície; manter a estabilidade mecânica do poço; resfriar a broca; transmitir força hidráulica até a broca; manter os cascalhos em suspensão quando sem circulação; entre outros." Fonte: Wikipédia.

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Boletim SBGf - Geofísica aplicada ao Petróleo


Dica interessante!

by Carlos Guedes | 14:22 in , , | comentários (0)

Dica interessante!

O novo modelo regulatório está para ser implantado no Brasil e há uma grande discussão de qual é o melhor modelo para o Brasil, para empresas estrangeiras e etc e nunca se chega a um consenso, quem nunca teve essa dúvida. O Estadão ajuda a tirar essa dúvida, em uma das suas reportagens especiais ele mostra um quadro interativa onde fala de cada modelo ao redor do mundo bem como suas vantagens e desvantages e quais países os usam. É bem legal e vale dar uma conferida.



Para quem quiser, clique AQUI

Histórico da Exploração de Petróleo no Brasil

Para aqueles que gostam de conhecer a história da exploração de Petróleo ou até mesmo precisam para fazer algum trabalho sobre o tema, esse especial do Estadão é bem interessante. São 13 slides mostrando desde o começo das primeiras perfurações em 1892 até a grande descoberta do Pré-Sal em 2007. Para ver clique no link abaixo da imagem.


Petróleo: Entre o Delírio e a Realidade - Exame Set/09




Excelente reportagem de capa da Revista Exame de 23/09/2009. Que aborda sobre esse boom do Pré-Sal, analisando todas oportunidades e consequências para o Brasil. A reportagem mostra também opiniões de especialistas em relação ao novo marco regulatório mostrando qual é o melhor caminho, e finaliza mostrando o exemplo da Noruega.


Análise de Riscos na Indústria do Petróleo

Análise de Risco de Projetos de Desenvolvimento de Produção Marítima de Petróleo - Um estudo de caso

A indústria do Ouro Negro, cobiçada por tantos ,que enche os olhos de qualquer um movimenta bilhões de dólares a cada projeto. Para você ter um idéia, só o aluguel diário de uma sonda de perfuração gira em torno de U$ 100.000 a U$ 650.000 dependendo do tipo de Tecnologia e sonda utilizada. Agora você sabe porque exige-se tanta qualificação para este tipo de atividade. Um erro pode ser fatal, e isso não pode acontecer em projetos desse nível, e junto desses bilhões de dólares muitos riscos estão envolvidos e devem ser mapeados visando mitigá-los o máximo possível.

Desta forma, a Análise de Riscos em projetos Petrolíferos é de suma importância e o profissional responsável por essa área é muito valorizado, além de muito bem pago! rs É óbvio que isso não é feito por uma única pessoa e sim uma equipe. Soube por fonte segura que o valor Homem/Hora (H/H) de uma consultoria nessa área está em torno de 100-150 reais.

Se interessou pela área? Que tal começar a estudar o assunto? Segue abaixo um ótimo material.

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Quem perde e quem ganha com um barril de petróleo rondando os U$ 150,00?



Quando entra em questão quem serão os ganhadores e perdedores com a alta no preço do barril, é natural deduzir que ganharão os produtores e perderão os consumidores. A questão ganha maior profundidade quando constatamos quais são esses países. De um lado, temos EUA, China, Japão e Europa consumindo a maior parte do petróleo mundial
(e vivenciando um declínio preocupante em suas reservas); do outro temos os países do Oriente Médio e a Rússia liderando a produção.

São inúmeras as razões para as cotações estarem tão elevadas, mas a principal é de fato a suposição de que o petróleo faltará a longo prazo devido ao declínio das reservas e ao aumento exagerado do consumo. Programas de eficiência energética na prática inexistem, apenas amplificando o consumo – especialmente em países em desenvolvimento e superpopulosos como China e Índia, onde a renda per capita cresce a cada ano. É importante ressaltar que tal cenário pode se tornar insustentável para países que ainda não tenham alcançado a auto-suficiência em petróleo. Em um hipotético contexto no qual China e Índia tivessem o mesmo número de veículos por habitante que tem o Brasil (note que o parâmetro é relativamente otimista, não estamos tomando como exemplo EUA ou Japão), os gastos seriam o suficiente para criar um rombo nos recursos (sem falar na Economia) do planeta.

Outra hipótese (mais grave) é a de que o petróleo possa faltar a curto prazo - neste caso em decorrência de possíveis conflitos militares (as maiores reservas do mundo estão em áreas de conflito). Imagine como seria se, por exemplo, ocorresse o fechamento do “Estreito de Ormuz”.

Entretanto, quando se cogita a escassez de petróleo a curto prazo, as cotações fogem totalmente ao controle até mesmo da OPEP, podendo vir a ultrapassar até mesmo as previsões mais catastróficas (o que hoje seria a de um preço a US$ 200,00/barril). Foi exatamente por essa razão que uma única (ainda que séria) declaração do ministro dos transportes de Israel em relação ao Irã fez com que as cotações subissem quase US$ 10,00 em um único dia (pois o Irã, afinal, além de importante membro da OPEP, é a segunda maior reserva do mundo e dispõe de uma perigosa influência militar no Golfo Pérsico).

A partir daí, surge a seguinte problemática: apesar de serem aliados de Israel, os EUA teriam um prejuízo infinitamente superior ao de Israel em caso de conflito com o Irã. Entretanto, não podemos desconsiderar que Israel é muito mais vulnerável a um Irã com armamento nuclear do que os EUA.

Para finalizarmos este complicado cenário geopolítico, fazemos o seguinte questionamento: e o “BRIC”, ficaria polarizado (tendo o “BR” do lado dos que tem petróleo - Brasil e Rússia - e o “IC” - Índia e China - do lado dos que não possuem reservas suficientes para atender necessidades espetacularmente crescentes de consumo)?

Hoje imaginamos o "BRIC" como sendo um seleto grupo de paises em franco desenvolvimento econômico. A Índia e, principalmente, a China passaram a crescer em um ritmo muito acelerado. Entretanto, um barril de petróleo a US$ 200 por um longo período comprometerá invariavelmente os planos chineses e indianos, uma vez que ambos são muito dependentes do petróleo e gás estrangeiro (principalmente dos russos) . Neste caso, seria a Rússia quem poderia nos surpreender, com um desenvolvimento econômico bem maior do que o previsto – isso em função das milionárias exportações de seu petróleo e gás (maiores reservas do mundo), que já abastecem a maior parte da Europa.

No caso brasileiro, a meta por ora é a auto-suficiência, o que não é pouca coisa. No entanto, já é possível olhar além. Em um futuro não muito distante, é cada vez mais provável nos tornarmos médios exportadores, principalmente de derivados (já que nosso planejamento estratégico aponta para uma expansão do nosso parque de refino, com a aquisição refinarias estrangeiras em locais estratégicos).

Por Mauro Kahn [clubedopetroleo.com.br]

Petróleo Estatal. Adeus Brasil Verde por Alexandre Barros



Paralelamente a todas as discussões a respeito de meio ambiente, aquecimento global, desmatamento, etanol, biomassa, diesel vegetal, Al Gore, ONGs, Raposa Serra do Sol, generais da ativa e da reserva, pré-sal, faltou uma. Ela é a mais importante e pode ser uma boa explicação de por que, dificilmente, teremos carros elétricos ou uso intensivo de energias não baseadas em derivados de petróleo e/ou etanol no Brasil.

Se você, leitor, não adivinhou ainda, a resposta é simples: o governo brasileiro (qualquer que seja ele) é o maior interessado em que não se tenha nenhuma outra fonte de energia eficiente e lucrativa, porque ele é o único produtor de petróleo do Brasil. E a bancada sucroalcooleira é uma das maiores no Congresso Nacional.

A tecnologia e a pesquisa vão a reboque do governo, que tem, via Executivo e Legislativo, interesses constituídos muito poderosos, os quais não fazem a menor questão de que consumamos menos etanol ou petróleo. Ao contrário, quanto mais gastarmos desses combustíveis, mais felizes eles ficarão. Cada vez que usarmos outras energias, eles perderão dinheiro.

Não se iluda, leitor, não pense na Petrobrás perdendo dinheiro, pense no governo perdendo o dinheiro da Petrobrás.

A Petrobrás desconfia que haja muito petróleo abaixo da camada do pré-sal. Especula-se, no mercado, que a reserva se estenda muito mais ao longo do território brasileiro do que o que já foi divulgado até agora (a relação entre o governo dos EUA ter recriado a 4ª Frota no Atlântico Sul e as reservas ao longo da costa brasileira está aberta à sua especulação, leitor, aceito idéias e sugestões).

A Petrobrás é imprivatizável (desculpe, ministro Antonio Magri; obrigado, acadêmico Cândido Mendes) desde o governo Fernando Henrique. As pessoas se iludem achando que o Brasil ganha com a Petrobrás estatal. E tanto a Petrobrás quanto o seu dono, o governo, fazem de tudo para que continuemos a acreditar nisso. Potoca.

Ganham é os funcionários da Petrobrás e o governo, que usa o dinheiro da empresa para pagar muitas extravagâncias e idiossincrasias (não estou falando de atividades corruptas ou ilegais) para as quais ele - governo - não tem dinheiro no Orçamento público, votado pelo Congresso Nacional. Mas consegue fazer com o dinheiro da Petrobrás. Como, de resto, o faz também com o dinheiro do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal, do BNDES e, quiçá, de outras empresas estatais menores.

Basta olhar boa parte das campanhas e dos patrocínios a todo tipo de atividades. Lá - na camisa do atleta, nos créditos do filme ou da peça teatral, nos cartazes da exposição - estará o logotipo ou o nome de uma das estatais fazendo política social ou incentivando a cultura, a educação ou o esporte.

Nada contra nenhuma dessas causas, mas isto é apenas para lembrar que, como o governo distribui dinheiro a rodo por intermédio dessas empresas, para iniciativas boas e ruins, mais meritórias e menos meritórias, há uma grande massa de financiados que querem manter a imprivatizabilidade da Petrobrás e de outras estatais, pois vivem do dinheiro delas.

O governo faz cortesia com o nosso chapéu, financiando campanhas que, independentemente do mérito ou demérito de cada uma delas, têm uma coisa em comum: fazem o governo sair melhor na foto (e, de quebra, financia seus amigos).

No caso dos combustíveis alternativos, a situação é mais grave. Existe um movimento mundial para fazer uma faxina no ar que se respira, que passa, em parte, pela redução do consumo de petróleo. Em lugares onde o petróleo não é estatal, governos podem ajudar na faxina incentivando empresas, universidades e pessoas, ou pelo menos não as desincentivando, a buscar e desenvolver combustíveis alternativos.

O preço definido livremente pelo mercado é sempre o melhor incentivador ou desincentivador de atividades. Bastou o petróleo passar de US$ 120 o barril e montadoras desistiram de carros possantes e fecharam fábricas. Empresas de aviação testam combustíveis não derivados de petróleo. A freqüência do metrô de Nova York sobe quase 5% e, lá, os engarrafamentos urbanos se reduzem.

Aqui, o governo tenta comprar a vitória nas eleições municipais segurando o preço dos derivados de petróleo. Já vimos esse filme.

Nada melhor que o mercado. Hoje há, pelo mundo, todo tipo de pessoas e empresas tentando mover engenhos com vento, sol, óleo de fritura usado, estrume, hidrogênio e muitas coisas mais. Onde o petróleo não é estatal, os governos podem ajudar isso a acontecer ou, pelo menos, podem não atrapalhar.

Aqui, como o governo é o maior interessado no lucro do petróleo, a esperança de termos pesquisa significativa em energias alternativas é muito pequena. Não interessa ao governo.

E mais: não duvido que, em sendo descobertas alternativas energéticas em outros países, seja muito possível que o governo brasileiro não permita sua importação ou seu uso no nosso país, por uma razão muito simples: o governo ganha com a poluição.

Bastou o anúncio das reservas do pré-sal para o governo brasileiro entrar num assanhamento sem par. Há gente no governo querendo meter mais fundo a mão nos lucros hipotéticos do petróleo.

A Petrobrás não é suficiente, dizem alguns. Querem uma outra estatal, mais monopolista e mais poderosa, para controlar uma herança cujo valor ainda não se conhece ao certo, mas se acha ser muito grande. Agora brigam governo e Petrobrás. Ela, para não perder poder; ele, para eliminar a Petrobrás dessa perspectiva de se tornar mais poderosa.


Ganhe ela ou ganhe ele, não teremos nada a dizer, porque um monopólio nos tira todo o poder.
Que falta faz um mercado de verdade na energia do Brasil!

Desconstruindo o barril do petróleo por Mauro Kahn

Fonte: Clubedopetróleo.com.br

Na última quinta-feira, dia 03 de julho, o barril de petróleo bateu novo recorde de preço ao marcar US$ 145,00 na cidade de Nova York. Embora impressionante, este aumento não é de forma alguma inexplicável. Neste artigo, procuro elucidar um pouco a questão a partir da decomposição do preço do barril – que já saltou de US$ 30,00 em 2003 para US$144,00 em 2008 – em cada um de seus fatores.

Classifiquei as razões por uma suposta ordem de importância, observada da seguinte maneira:

1. Especulação financeira

2. Desvalorização do Dólar

3. Consumo elevado

4. Questões de geopolítica

5.Queda das reservas

6.Subsídio aos derivados

A primeira questão envolve os investidores, que vêm jogando apostas extremamente altas no mercado. Assim como na bolsa de valores, onde uma ação pode estar cotada por números muito superiores a seu valor patrimonial, no setor do petróleo a cotação do barril também salta com o movimento especulativo. Partindo da opinião consensual de especialistas, podemos projetar que a especulação, por si só, corresponde a cerca de 20% do preço do barril (e a tendência é que este percentual aumente). Sem ela, é provável que a cotação nem mesmo passasse dos US$ 110,00.

Levando em conta que o barril estava fixado em US$ 30,00 no ano de 2003 – e considerando que o dólar se desvalorizou significativamente (somente o Real já valorizou aproximadamente 45% de lá para cá) – o preço de US$ 110,00, sem especulação, cai para algo em torno de US$ 75,00.

A desvalorização do dólar, aliás - especialmente frente ao Euro - é outro fator que pesa bastante sobre o preço do barril. A crise no setor imobiliário americano, somada ao desgaste do governo e da economia americana, consolidou a força da moeda européia e levou investidores a moverem-se em direção a moedas de países emergentes, enfraquecendo ainda mais o dólar.

Em relação à explosão do consumo, impulsionada por países em desenvolvimento como China e Índia, temos um aumento concreto de cerca de 15% (aproximadamente) desde o ano 2000. Refrear esse crescimento é uma medida improvável, embora existam formas de amenizá-lo. A mais evidente, conquanto indesejável, seria o aumento radical no preço dos derivados. Creio que apenas o acaso de uma grande recessão econômica pudesse surtir o mesmo efeito de maneira contundente.

A questão dos conflitos políticos é um aspecto sempre presente e marcante quando se trata de valores relacionados ao petróleo. O mero temor por uma guerra envolvendo países como, por exemplo, o Irã, já é por si só suficiente para criar uma certa instabilidade. O próprio governo americano vem tentando amenizar a questão Irã/Israel, temendo certamente uma escalada ainda maior das cotações. Outra atual medida política americana é a abertura do Iraque para diferentes "players". Tal fato deverá aumentar a produção de petróleo e ajudar a derrubar as cotações, uma vez que o país apresenta o melhor R/P (reservas/produção) do planeta. Em termos de causas imediatas, merece ser citada a crise no Delta do Níger, onde uma plataforma da Shell foi atacada no mês de junho por um grupo separatista.

O declínio de reservas é outro fator que tem desregulado os marcadores econômicos. Recentes e inesperadas quedas nos estoques estratégicos dos EUA causaram um aumento de preço significativo nos últimos meses, e outros problemas de escassez – como o declínio das reservas do Mar do Norte – vem ao longo dos anos colaborando para elevar as cotações. Problemas de ordem natural, como estações frias em excesso ou até mesmo desastres pontuais como furacões, também acarretam em uma larga e imprevisível redução da produção e aumento do consumo.

É importante reforçar que boa parte da pressão exercida sobre o preço do petróleo - tanto pela explosão do consumo quanto através do declínio das reservas - se deve exclusivamente a previsões elaboradas com alta margem de erro. Por estimativa própria, creio que somente estas consistam em quase 10% do aumento na cotação do barril. Uma cautela talvez excessiva, pois não se está levando em consideração preciosas descobertas na América da Sul e na África.

Finalmente, os subsídios aos derivados constituem o fator mais maleável, pois podem ser reduzidos ou até mesmo encerrados em caso de interesse dos governos. Qualquer uma das duas medidas medidas poderia jogar o preço dos derivados para cima - o que desistimularia o consumo - mas por outro lado traria consigo um grande risco de contaminação da economia e potencialização da inflação mundial. Por ora, EUA e China ainda continuam a subsidiar - apesar de reajustes no preço da gasolina de 20% e 17%, respectivamente. Adotando uma postura mais prudente, países europeus (não produtores) vêm ampliando seus reajustes (a Itália, por exemplo, já reajustou em 31%).

Embora as projeções futuras não sejam otimistas (prevê-se um barril a US$ 170,00 em setembro), é importante ressaltar que toda previsão pode e deve ser usada como maneira de interferir e transformar a realidade. Cabe aos governos, economistas e integrantes da Indústria debater, rebater e agir sobre os dados. A reflexão é fundamental e as possibilidades estão em aberto.

O cenário geológico nas Bacias sedimentares do Brasil

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Características das Bacias Petrolíferas Brasileiras

Arquivo PDF com características gerais das bacias do Nordeste e de Campos



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Exploração e Produção no Hemisfério Norte

Por Mauro Kahn e Pedro Nóbrega 
(www.clubedopetróleo.com.br)

Em 1956, o geólogo da Shell M. King Hubbert previu durante uma conferência o auge e posterior declínio das reservas americanas a partir do final dos anos 60 e início dos anos 70. Com o passar das décadas, sua teoria comprovou-se na prática e os EUA passaram a temer o fim de suas reservas. Hubbert, no entanto, desconhecia o petróleo do Alasca, estado que hoje é a grande promessa dos EUA em termos de reservas. Embora a quantidade precisa de barris a serem explorados na região seja nebulosa e pouco divulgada por órgãos americanos, é provável que seja o suficiente para manter o nível de produção do país por mais algum bom tempo (os americanos permanecem como os terceiros maiores produtores do mundo). Apenas na National Petroleum Reserve a estimativa é de mais de 10 bilhões de barris.

No entanto, alguns obstáculos para que esse petróleo passe de fato a assumir um papel de destaque na produção nacional colocam-se no caminho. O principal deles diz respeito a questões ambientais. Cercada por reservas, a região já sofreu com o grave derramamento da Exxon Valdez em 1989 (até hoje considerado um dos mais traumáticos da História) e com mais um derramamento em 2006 (de menores proporções, mas suficiente para despertar a atenção dos órgãos de proteção ambiental). A pressão vem sendo muito forte por parte dos ambientalistas e – ainda que não impeçam o avanço nos projetos de coligação entre os dutos do Alasca e do Canadá – fazem com que investidores e políticos re-avaliem os benefícios de seguir por este caminho.

A pressão recai especialmente sobre os republicanos, acusados de querer aumentar a produção americana a qualquer custo. A escolha da governadora do Alasca Sarah Palin para integrar a chapa de John McCain é um indício das intenções republicanas, embora o atual governo esteja optando por investir no Golfo do México e fortalecer relações com o Canadá. Uma alternativa capitaneada pelos democratas para atenuar a demanda americana concerne o investimento em bioenergia. Por outro lado, apesar da capacidade americana de produzir o etanol a partir do milho, a quantidade de grãos necessária para produzir combustível de qualidade satisfatória é alta, o que leva a um aumento de preços preocupante para os criadores de gado e ativa os protestos de quem clama ser absurdo plantar energia no lugar de comida.

O Canadá vive uma situação semelhante ao Alasca em relação à questão ambiental. Extraído do arenito betuminoso, o mais promissor petróleo canadense (com reservas estimadas em 175 bilhões de barris) produz pelo menos cinco vezes mais dióxido de carbono, dentre outros danos relacionados ao ar, ao solo, às florestas e à água (a organização não-governamental Greenpeace posiciona-se como um dos mais ferrenhos adversários deste método de produção do petróleo). O gasto com gás natural também é extremamente alto; vale lembrar que os dispêndios atuais seriam o suficiente para alimentar 3,2 milhões de casas (isto se formos nos basear em dados atuais, desconsiderando o futuro aumento de produção).

Outra dificuldade para a extração do petróleo canadense é o custo de produção (o arenito betuminoso é mais caro de refinar e o aproveitamento do material bruto costuma ser menor). Durante muito tempo, devido à falta de tecnologia apropriada, a produção foi barrada por não gerar lucro. Mesmo hoje – quando o custo de extração baixou consideravelmente e o índice de recuperação saltou de 10% para 25% - existe a preocupação com a queda no preço do barril e com os altos investimentos necessários para habilitar uma infraestrutura capaz de suportar a produção em larga escala. O projeto canadense é produzir 4.8 milhões de barris/dia em 2020, o que lhes colocaria entre os 5 maiores produtores de petróleo do mundo.

Logisticamente, o Canadá não tem do que reclamar. Próximo de seu principal consumidor, os EUA, o país pode exportar facilmente seu petróleo através do Atlântico para a União Européia e, em um futuro próximo, poderá também transportá-lo até a China (falta ainda uma rede de dutos que leve o petróleo até o Pacífico). Hoje uma das principais discussões que envolvem o petróleo canadense é exatamente acerca do destino desse petróleo: enquanto alguns defendem que o Canadá se torne um exportador praticamente exclusivo dos EUA, apoiando-se na longa e fértil relação entre ambos os países, outros enxergam nas “areias oleosas” uma oportunidade de reforçar a independência econômica do Estado em relação aos vizinhos.

Como podemos constatar, o problema do petróleo no Hemisfério Norte – ao contrário da maior parte dos produtores – já não é a disputa com vizinhos ou as dificuldades de transporte (embora tais questões sempre existam). Daqui a algum tempo, com novos avanços tecnológicos, talvez nem mesmo a infraestrutura seja mais tão cara. E então o problema continuará sendo, acima de tudo, a responsabilidade internacional de dois países de primeiro mundo em buscar soluções para atender às suas necessidades e interesses, sempre de grande dimensão, sem causar um grande prejuízo ao planeta.

O PETRÓLEO (NÃO) É NOSSO!

Por André Costa
http://andrecostapetroleo.blogspot.com/

Artigo muito interessante escrito pelo nosso amigo Tecnólogo André Costa, vale a pena dar uma lida!

A Gritaria está sendo geral, o pré-sal está virando a cabeça de todo mundo, todos querem um quinhão dessa “nova fronteira”.
Você conhece o Capitulo V, Seção I, Artigo 26 da nossa “maravilhosa” Lei do Petróleo 9478/97? Vamos a ela:
Art. 26. A concessão implica, para o concessionário, a obrigação de explorar, por sua conta e risco e, em caso de êxito, produzir petróleo ou gás natural em determinado bloco, conferindo-lhe a propriedade desses bens, após extraídos, com os encargos relativos ao pagamento dos tributos incidentes e das participações legais ou contratuais correspondentes.

Até onde consegui pesquisar, nenhuma nação do planeta tem um dispositivo desse em sua Lei. Discuta-se o artigo:
“por sua conta e risco” Eu desconheço um concessionário que tenha explorado em uma área onde a “nossa” Petrobras não tenha partido na frente. Então estamos falando de que risco? Deve ser que nem todo poço perfurado ocorre óleo, mas mesmo os que não resulta em comerciais gera dados para futuras perfurações. Não me venha com história de 51 anos de monopólio, afinal nos anos 60, 70 e início dos anos 80 existiam os contratos de risco (permitiam a união de outras operadoras com a Petrobras na exploração de petróleo).
“em caso de êxito, produzir petróleo ou gás natural em determinado bloco, conferindo-lhe a propriedade desses bens,” Aqui começa o equívoco dessa Lei. O petróleo não é um commodity comum, o petróleo é um bem estratégico para a nação que o tem. O EUA é uma potência em grande parte graças ao petróleo que possui nas suas terras e nas que são “donos”. Você sabia que os Estados Unidos possuem uma reserva estratégica de petróleo enterrada próxima ao Golfo do México de mais 800 milhões de Barris?
“após extraídos, com os encargos relativos ao pagamento dos tributos incidentes e das participações legais ou contratuais correspondentes.” O que a operadora recolhe a União a título desses tributos é o seguinte: royalties 10% ,mas um dispositivo da mesma Lei permite a redução até 5% por tanto pesquise uma produção que pague mais de 5%, eu não a encontrei. E não ultrapassa 10% de impostos variados, e existe uma participação especial sobre grande produção (regulamentada pela Lei nº 10.261, de 2001) e não vai ultrapassar a 15% do montante total, ou seja, totaliza no máximo 30% da riqueza gerada ficando no Brasil.
A questão não é essa, como petróleo não um commodity comum, não é o dinheiro o fator predominante e sim o produto em si. A Líbia, por exemplo, compra 80% de sua produção de qualquer operadora que produzir em seu país – é Lei. Agora me passa uma coisa, no mundo capitalista a regra geral e ter liberdade, mas penso que as “majors” não devam está muito interessada em quem vai pagar a conta uma vez que nesse mesmo mundo capitalista o mais importante é o dinheiro e não seu dono. A não ser que exista outra razão, mas isso já foi exaustivamente debatido há tempos por Monteiro Lobato e não deu em nada. Opa!! Rendeu-lhe a quebra de sua empresa de petróleo e a sua prisão por quase quatro meses.
Por tanto voltaremos ao tempo atual onde o capitalismo está bem consolidado. Devemos sim ter uma discussão ampla e séria, nos moldes do “O Petróleo é Nosso” no que tange a abrangência nacional e não uma discussão de gabinete onde uma meia-dúzia de pessoas que nunca se sujaram de petróleo, apenas com o “realpetro” tenha “suas” opiniões expressas na mídia todos os dias.
Devemos encarar o assunto petróleo com mais seriedade, pois corremos o risco de repetir o erro da Nigéria que embora tenha mais óleo que o Brasil vive sem os derivados na sua Nação ou até o Irã, um dos maiores produtores do planeta, que vive com o racionamento constante de combustíveis.
O mercado brasileiro está aberto ao capital estrangeiro, alguma “majors” interessou-se pelo parque de refino? O consumo interno de derivado aumenta a cada ano, o Brasil já importa diariamente milhares de barris de óleo diesel, sem contar os milhares de m3 de GN e GLP. Exportar óleo cru (brasileiro) a 75 dólares e importar derivados ao dobro desse valor não me parece uma matemática muito boa.
No futuro bem próximo teremos problemas sérios de disponibilidade de derivados e seremos “super potência” produtora, mas a balança comercial sempre negativa.
A prata já foi indicativo para determinar as nações poderosas, já foi o ouro e até há pouco tempo o dólar possuía essa conotação, mas já algum tempo o petróleo vem ocupando essa posição. O petróleo tem motivado as recentes guerras e desentendimento entre nações.
Por isso o foco da discussão deve ser mudado, não interessa quem vai produzir o pré-sal, já está claro que essa briga é política. A criação de uma nova empresa 100% estatal (“Petrosal”) vai interessar a indústria do petróleo ou aos “políticos” de plantão?
O foco deve ser: para onde vai essa produção. O que fazer dessa produção. Vamos entregar aos países desenvolvidos não gerando riqueza para povo como faz a Venezuela, a Bolívia, a Nigéria? A discussão deve ser um novo modelo regulatório, onde a produção deva ser comercializada para o país que a possua.

Infra-Estrutura do Petróleo

Por André Luiz.

Parabenizo o excelente e  esclarecedor artigo do Amigo André Costa sobre a Lei do petróleo e os riscos que corremos em não atualiza-la. Cabe ressaltar que se não forem adotadas politicas /iniciativas desenvolvimentistas para a chamada "Área do Pré-Sal", acabaremos como produtores primários de uma cadeia produtiva em que os maiores valores agregados não estão na matéria prima e sim na gama de produtos advindos de sua origem. Faz-se necessário uma reestruturação , adequação, adaptação e acima de tudo investimentos nas áreas de construção naval, onde os principais parques de estaleiros encontram-se na Bahia, Rio de Janeiro, Itajaí (SC) e Rio Grande (RS), pois destes estaleiros sairam alguns dos módulos de produção de plataformas como a  P-50, P-51, além de embarcações de apoio. Deve-se tambem ter uma especial atenção aos projetos de Construção de Plantas de refino e pólos de petroquímica, pois os existentes hoje poderão não ser capazes de absorver a produção e consequentemente a demanda de produtos acabados. Por fim me preocupa muito a questão da logistica na área do Pré-sal. este ano tive a oportunidade de estar na Sonda SS-55 - Ocean Alliance - da Brasdrill que estava à época operando na perfuração do campo de Tupy e fiquei impressionado com a distância e o tempo entre a saida de Jacarepaguá e a chegada  à SS-55: 1h e 40 minutos de vôo, quando em média temos de 50 mimutos a uma hora em Marlin Sul na BC e 8 minutos no caso de Sergipe, fica a questão : e em caso de emergência haverá um centro de controle de contingências igual  e com o mesmo aprestamento do desenvolvido na BC após o afundamento da P-36? O apoio logístico através de embarcações de suprimentos , equipamentos e demais insumos terá uma eficacia que venha dar funcionalidade as operações?

 Tenho a convicção que se o desenvolvimento da exploração  do Pré-sal for tratado no campo das tecnicidades que lhe são de fato requeridas, teremos tudo para nos tornarmos grandes produtores, mas acima de tudo temos que nos transformar em grandes beneficiadores desse petróleo, pois caso contrario cairemos naquela máxima do cidadão que gastou uma fortuna para comprar um baita carro , mas que agora não tem dinheiro pra gasolina.

Continuem comentando! Sua opinião vale muito aqui!

O PORTO SEGURO DO PETRÓLEO NACIONAL

Por Mauro Kahn e Pedro Nobrega do Clube do Petróleo www.clubedopetroleo.com.br
 
O ano de 2009 começou com boas notícias para o setor de petróleo. Em um momento de grande instabilidade mundial, o governo brasileiro já afirmou disse confiar no potencial da Indústria do Petróleo Nacional, assegurando aos investidores (potenciais e reais) do pré-sal que suas intenções não serão frustradas. No entanto, o que mais chama a atenção dos especialistas é o retorno do enfoque produtivo sobre a Bacia de Campos.
 
Se durante todo o ano passado a grande preocupação dos “players” nacionais dizia respeito à descoberta e distribuição de novas reservas, este ano a prioridade parece ser um aumento de produção que torne não apenas os novos investimentos viáveis, mas garanta também alguma segurança à economia brasileira (que ainda aguarda aflita os reflexos da crise financeira, os quais vêm sendo absorvidos aos poucos). Para isso, a Bacia de Campos parece o alvo ideal, por sua estrutura de produção e funcionamento (que amadurece progressivamente).
 
O primeiro passo dado foi a ativação da plataforma semi-submersível integralmente construída no Brasil, a P-51, no campo Marlim Sul, no dia 24/01. Capaz de produzir 180 mil barris de petróleo por dia, a plataforma proporcionará ao Brasil ganhos também na área do gás natural através de sua capacidade de comprimir 6 milhões de metros cúbicos. Relatórios do governo falam também de 4 mil empregos gerados diretamente e 12 mil gerados indiretamente.
 
Uma réplica da P-51, a plataforma P-56 é prevista para entrar em funcionamento no final de 2010 e seus ganhos deverão ser similares (embora deva processar “apenas” 100 mil barris por dia). Outras quatro plataformas são previstas para a Bacia de Campos até 2013, nos campos de Roncador, Jubarte e Papa-Terra, contabilizando um vastíssimo aumento de produção (e rivalizando com apenas duas que serão construídas em Maragogipe e uma na Bacia de Santos).
 
Parece certo que, se o pré-sal é o futuro, a Bacia de Campos está mais presente do que nunca. Virtualmente esquecida em 2007, ela ainda está a meio caminho de sua plena exploração, tendo muito para proporcionar. O carro-chefe do governo continuam sendo as águas profundas, mas a atenção dos produtores, neste momento, parece definitivamente voltada para a Bacia de Campos.
 
A atitude, dentro do cenário mundial que vivenciamos, parece perfeitamente coerente. Com a vertiginosa queda nas cotações do barril em relação ao primeiro semestre do ano passado, a possibilidade de um grave contra-choque paira sempre no ar, e ter a opção de obter o petróleo a preços mais modestos – sem excluir de maneira alguma o pré-sal – torna o país mais flexível para os próximos anos.
 
Particularmente, não acreditamos na eternidade  deste contra-choque, e sim em uma tendência de aumento nas cotações no médio prazo, pois raramente uma situação de tal desvantagem para um número considerável de players dura muito tempo. No entanto, caso esta possibilidade se enfraqueça, é vital para o Brasil, pretendendo de fato tornar-se um dos grandes agentes no mercado mundial do petróleo, que construa sua própria Indústria sobre bases sólidas.

O Petróleo que não é nosso!



Por Mauro Kahn & Pedro Nobrega
O futuro do petróleo, a maneira como o recurso se posicionará na escala energética daqui a alguns anos, é um assunto que gera grande controvérsia e surge cercado de preconceitos e informações mal-interpretadas. Não é raro, em uma mesa de discussão, nos depararmos com aquele sujeito “entendido”, sempre disposto a nos alertar – com muita gravidade – sobre a escassez do petróleo. Para tanto, o “entendido” geralmente se baseia em informações como a elevada produção mundial em comparação com o volume total das reservas. No entanto, existe uma outra possibilidade, que pode ser perfeitamente defendida, a qual parte da estimativa otimista de que ainda há muitas descobertas por acontecer.
E não somente isso. Existem também aquelas reservas que já conhecemos e onde a produção é bem pequena, como no caso mais recente do Iraque. Agora o país, “pacificado”, abre-se para novos investimentos estrangeiros e torna-se sinal da constante renovação pela qual passa a Indústria do Petróleo, alternando de tempos em tempos seus principais campos de ação.
Justamente devido à modesta produção no decorrer dos últimos 20 anos, atualmente o Iraque ocupa a posição de melhor R/P (Reserva/Produção) do planeta. Além disso, conta com um potencial estimado de 100 bilhões de barris em reservas ainda não provadas. Embora muitas das informações que nos chegam da região do Golfo Pérsico sejam desencontradas e cercadas de especulação, é possível conjecturar que ainda existam reservas a serem descobertas no mar, uma vez que a maioria dos campos explorados encontra-se em terra.
Fato é que uma grande parte das reservas mundiais de petróleo encontra-se inacessível, pelas mais diversas razões. Em certos casos, pode ser uma questão tecnológica (como o petróleo que se encontra no pré-sal). Já em outros, são questões ambientais que tornam o Upstream e o Midstream bem arriscados, como no caso do estado do Alasca e do Pólo Norte.
No entanto, os casos que chamam mais atenção, e portanto surgem de maneira mais evidente, são aqueles em que o impedimento deriva de guerras e pressões políticas. Não podemos encontrar melhor exemplo para este tipo de situação do que o impasse quanto à exploração de petróleo no Mar Cáspio. A região, riquíssima, chegou a ser explorada pelos irmãos Nobel e tornou-se um pólo atrativo no início do século XX. Durante o III Reich, chegou a ser um alvo da cobiça de Hitler e estopim para a tragédia de Stalingrado.


No entanto, com o governo soviético e sua subseqüente derrocada, os países que circundam o Mar Cáspio jamais conseguiram entrar em acordo sobre como deverá ser distribuído o lucro proveniente da espetacular produção em potencial. Reuniões e acordos entre os países da antiga URSS são constantemente organizados, mas a disparidade de interesses e as profundas marcas deixadas pela história não permitem qualquer conclusão positiva.
Um dos grandes problemas do Mar Cáspio remete ao escoamento através de dutos, que inevitavelmente cruzariam países muitas vezes antagônicos aos produtores ou sujeitos a uma grande probabilidade de atentados terroristas. O Afeganistão, por exemplo, seria um caminho natural para que o petróleo (e principalmente o gás) chegassem à Índia e ao Sudeste Asiático, mas sua instabilidade espanta os investimentos. O mesmo ocorre com o noroeste da China, em teoria um excelente ponto de entrada, mas na prática constantemente agitado por movimentos separatistas.
Hoje, postergar essa produção ainda interessa à Rússia, país com as maiores reservas da região. Posicionada estrategicamente, apresentando as melhores condições para ser a grande fornecedora da “Zona do Euro” e de vizinhos como China e Japão, a Rússia não tem razões imediatas para colocar seus vizinhos do Mar Cáspio em evidência, correndo o risco de perder mercado.


Os investimentos do país na Sibéria Oriental e na Ilha de Sakhalin (que promete 1200 milhões de barris, além de 500 bilhões de m³ de gás natural) por ora vêm bastando. Por outro lado, assumir o Mar Cáspio como parte deste projeto poderia facilmente colocar a Rússia em proximidade com a Arábia Saudita, tornando-se o maior exportador de gás e petróleo do mundo. E é bem provável que esta seja apenas uma questão de tempo.


O caso da Rússia, como o do Iraque e as já citadas regiões de fragilidade ambiental, é apenas mais um exemplo de caminho através do qual o petróleo ainda pode se mover como principal recurso energético de um país.

Pôlemica: Petróleo e gás natural podem não ser fósseis


Teorias famosas

O Universo originou-se de uma descomunal explosão, conhecida como Big Bang. O petróleo e o gás natural são combustíveis fósseis. Estas são provavelmente as duas teorias científicas mais disseminadas, de maior conhecimento do público e algumas das que alcançaram maior sucesso em toda a história da ciência.

Elas são tão populares que é fácil esquecer que são exatamente isto - teorias científicas, e não descrições de fatos testemunhados pela história. Mesmo porque as duas oferecem explicações para eventos que se sucederam muito antes do surgimento do homem na Terra.

Teoria dos combustíveis fósseis

Segundo a teoria dos combustíveis fósseis, que é a mais aceita atualmente sobre a origem do petróleo e do gás natural, organismos vivos morreram, foram enterrados, comprimidos e aquecidos sob pesadas camadas de sedimentos na crosta terrestre, onde sofreram transformações químicas até originar o petróleo e o gás natural.

É com base nesta teoria que chamamos as principais fontes de energia do mundo moderno de "combustíveis fósseis" - porque seriam resultado de restos modificados de seres vivos.

Teoria do petróleo abiótico

Muito menos disseminado é o fato de que esta não é a única teoria para explicar o surgimento do petróleo. Na verdade, esta teoria hegemônica vem sendo cada vez mais questionada por um grande número de cientistas, que defendem que o petróleo tem uma origem abiótica, ou abiogênica - sem relação com formas de vida.

Os defensores da teoria abiótica do petróleo têm inúmeros argumentos. Por exemplo, a inexistência de fenômenos geológicos que possam explicar o soterramento de grandes massas vivas, como florestas, que deveriam ser cobertas antes que tivessem tempo de se decompor totalmente ao ar livre, juntamente com a inconsistência das hipóteses de uma deposição do carbono livre na atmosfera no período jovem da Terra, quando suas temperaturas seriam muito altas.

A deposição lenta, como registrada por todos os fósseis, não parece se aplicar, uma vez que as camadas geológicas apresentam variações muito claras, o que permite sua datação com bastante precisão. Já os depósitos petrolíferos praticamente não apresentam alterações químicas variáveis com a profundidade, tendo virtualmente a mesma assinatura biológica em toda a sua extensão.

Além disso, os organismos vivos têm mais de 90% de água e mesmo que a totalidade de sua massa sólida fosse convertida em petróleo não haveria como explicar a quantidade de petróleo que já foi extraída até hoje.

Outros fenômenos geológicos, para explicar uma eventual deposição quase "instantânea," deveriam ocorrer de forma disseminada - para explicar a grande distribuição das reservas petrolíferas ao longo do planeta - e em grande intensidade - suficiente para explicar os gigantescos volumes de petróleo já localizados e extraídos.

Carbono do interior da Terra

Por essas e por outras razões, vários pesquisadores afirmam que nem petróleo, nem gás natural e nem mesmo o carvão, são combustíveis fósseis. Para isso, afirmam eles, o ciclo do carbono na Terra deveria ser um ciclo fechado, restrito à crosta superficial do planeta, sem nenhuma troca com o interior da Terra. E não há razões para se acreditar em tal hipótese.

Na verdade, aí está, segundo a teoria dos combustíveis abióticos, a origem do petróleo, do gás natural e do carvão: eles se originam do carbono que é "bombeado" continuamente pelas altíssimas pressões do interior da Terra em direção à superfície.

É possível sintetizar hidrocarbonetos a partir de matéria orgânica, e estes experimentos foram, por muitos anos, o principal sustentáculo da teoria dos combustíveis fósseis.

Mas agora, pela primeira vez, um grupo de cientistas conseguiu demonstrar experimentalmente a síntese do etano e de outros hidrocarbonetos pesados em condições não-biológicas. O experimento reproduz as condições de pressão e temperatura existentes no manto superior, a camada da Terra abaixo da crosta.

Metano e etano abióticos

A pesquisa foi feita por cientistas do Laboratório de Geofísica da Instituição Carnegie, nos Estados Unidos, em conjunto com colegas da Suécia e da Rússia, onde a teoria do petróleo abiótico surgiu e tem muito mais aceitação acadêmica do que em outras partes do mundo.

O metano (CH4) é o principal constituinte do gás natural, enquanto o etano (C2H6) é usado como matéria-prima petroquímica. Esses dois hidrocarbonetos, juntamente com outros associados aos combustíveis de origem geológica, são chamados de hidrocarbonetos saturados porque eles têm ligações únicas e simples, saturadas com hidrogênio.

Utilizando uma célula de pressão, conhecida como bigorna de diamante, e uma fonte de calor a laser, os cientistas começaram o experimento submetendo o metano a pressões mais de 20 mil vezes maiores do que a pressão atmosférica ao nível do mar, e a temperaturas variando de 700° C a mais de 1.200° C. Estas condições de temperatura e pressão reproduzem as condições ambientais encontradas no manto superior da Terra, entre 65 e 150 quilômetros de profundidade.

No interior da célula de pressão, o metano reagiu e formou etano, propano, butano, hidrogênio molecular e grafite. Os cientistas então submeteram o etano às mesmas condições e o resultado foi a formação de metano. Ou seja, as reações são reversíveis.

Essas reações fornecem evidências de que os hidrocarbonetos pesados podem existir nas camadas mais profundas da Terra, muito abaixo dos limites onde seria razoável supor a existência de matéria orgânica soterrada.

Reações reversíveis

Outro resultado importante da pesquisa é que a reversibilidade das reações implica que a síntese de hidrocarbonetos saturados é termodinamicamente controlada e não exige a presença de matéria orgânica.

"Nós ficamos intrigados por experiências anteriores e previsões teóricas," afirma Alexander Goncharov, um dos autores da pesquisa. "Experimentos feitos há alguns anos submeteram o metano a altas pressões e temperaturas, demonstrando que hidrocarbonetos mais pesados se formam a partir do metano sob condições de temperatura e pressão muito similares. Entretanto, as moléculas não puderam ser identificadas e era provável que houvesse uma distribuição."

"Nós superamos esse problema com nossa técnica aprimorada de aquecimento a laser, que nos permitiu aquecer um volume maior de maneira mais uniforme. Com isso, descobrimos que o metano pode ser produzido a partir do etano", declarou Goncharov.

Hidrocarbonetos gerados no interior da Terra

"A ideia de que os hidrocarbonetos gerados no manto migram para a crosta terrestre e contribuem para a formação dos reservatórios de óleo e gás foi levantada na Rússia e na Ucrânia muito anos atrás. A síntese e a estabilidade dos compostos estudados aqui, assim como a presença dos hidrocarbonetos pesados ao longo de todas as condições no interior do manto da Terra agora precisarão ser exploradas," explica outro autor da pesquisa, professor Anton Kolesnikov.

"Além disso, a extensão na qual esse carbono 'reduzido' sobrevive à migração até a crosta, sem se oxidar em CO2, precisa ser descoberta. Essas e outras questões relacionadas demonstram a necessidade de um programa de novos estudos teóricos e experimentais para estudar o destino do carbono nas profundezas da Terra," conclui o pesquisador.